Entre teus ombros
perdido
marcadas em minha pele
tuas digitais
(o espaço vazio entre teus dedos)
o contorno de teu corpo
gravado em meu peito
Decifrar a assinatura
do teu olhar
sobre o meu olhar
frente ao mar,
e embebido nele,
conjugar teu nome no tempo presente
As árvores são poemas da terra para o céu. Nós as derrubamos e as transformamos em papel para registrar todo o nosso vazio (Khalil Gibran)
domingo, 10 de abril de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Evocação
Há um caminho sem volta
atrás do espelho que conduzem, com apreço e sombra,
teus dedos inumeráveis.
Um rumo no aleatório sabor da manhã.
A transcrição mnemônica dos teus passos impressos na galeria do acaso,
tal veias feitas fios de lã,
como portos secos,
guardados em latas herméticas de impedir o prosseguir do tempo.
No silêncio intenso que teus olhos plenos produzem na minha lembrança,
como abraços desfeitos em braços, em queda,
pronuncio teu nome contra as paredes seladas do meu quarto.
E ainda assim, fecho meu olhos para o teu vulto na escuridão.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
na escuridão, sob o signo do sol
nada
nem uma gota
nem um aroma
nem mesmo sua lembrança
apenas o chão
somente ele sob meus pés cansados
não pelos passos, pela deriva
não pelos medos
pela conjunção destes sobre meu rosto profuso de incoerências injustificáveis
de razões insuficientes
de um passado incompleto como lapsos de memória deixados sobre a penteadeira do tempo
E nem mesmo o chão
somente a sua falta
nada além que a cristalizada lembrança de tudo que nos coordena
ou o esquecimento, que de tudo se alimenta
o eixo pulsante de nossas desautorizações
a mágoa da vida perdida na frente de objetivos desconhecidos,
os motivos perdidos na inércia dos rumos de Coriolis
pelo medo do mar revolto, da incerteza inundável da vida
Os tentáculos perigosos desses monstros marinhos
preservados em receptáculos herméticos
alimentados para que possam,
sobre a ilusão implacável da eternidade,
tornar-nos nômades de nós mesmos
sábado, 6 de novembro de 2010
não foi o sol,
foi a lembrança, que nos trouxe até aqui
o construto artístico de veias se tornando troncos,
florescendo em mentes,
despetalando-se em memória
alçapões cobrindo o segredo de tantos
o veludo recoberto de veludo
as certezas servido de camuflagem
o discurso pronto, a reflexão automata
concordar pelas conveniências
e a ciência disso tudo tomada com a mão, como a areia fina que um dia foi praia
a água doce que um dia foi rio, por um dia ter sido mar... olhos sonolentos de elefantes
a mágoa de não me tornar o desejo que quiseram que eu tivera, de transformar a areia em vidro
por um dia ter sido praia.
por um dia
eu e a areia,
e a imagem mental que tu hoje processa dessa areia-vidro-praia,
termos dançado [e sido] entre alguns grãos (se é que hajam) da poeira do universo.
foi a lembrança, que nos trouxe até aqui
o construto artístico de veias se tornando troncos,
florescendo em mentes,
despetalando-se em memória
alçapões cobrindo o segredo de tantos
o veludo recoberto de veludo
as certezas servido de camuflagem
o discurso pronto, a reflexão automata
concordar pelas conveniências
e a ciência disso tudo tomada com a mão, como a areia fina que um dia foi praia
a água doce que um dia foi rio, por um dia ter sido mar... olhos sonolentos de elefantes
a mágoa de não me tornar o desejo que quiseram que eu tivera, de transformar a areia em vidro
por um dia ter sido praia.
por um dia
eu e a areia,
e a imagem mental que tu hoje processa dessa areia-vidro-praia,
termos dançado [e sido] entre alguns grãos (se é que hajam) da poeira do universo.
domingo, 29 de agosto de 2010
Maio foi teu nome
escrito na parede
a própria parede
Sem querer auscultar teu peito
decidi-me pelo inevitável:
ser o caminho para as pedras
degluti-las na escadaria certeira
caindo
E num salto propiciar a monda dos teus cabelos expurgos
sobre a sala repleta de falta
celebrando a manhã sempre nascendo -
uma borboleta para o mar,
inteiro,
aos pedaços -
entreter tuas mãos nas maçãs de meu rosto
genuflexo
as sirenes da madrugada te levarão para o sol.
escrito na parede
a própria parede
Sem querer auscultar teu peito
decidi-me pelo inevitável:
ser o caminho para as pedras
degluti-las na escadaria certeira
caindo
E num salto propiciar a monda dos teus cabelos expurgos
sobre a sala repleta de falta
celebrando a manhã sempre nascendo -
uma borboleta para o mar,
inteiro,
aos pedaços -
entreter tuas mãos nas maçãs de meu rosto
genuflexo
as sirenes da madrugada te levarão para o sol.
Assinar:
Comentários (Atom)