As árvores são poemas da terra para o céu. Nós as derrubamos e as transformamos em papel para registrar todo o nosso vazio (Khalil Gibran)



sábado, 21 de novembro de 2009

para acertar o peito com uma ponta enferrujada de maldade sincera

sozinho como um cão esquecido no fim da linha do trem
que não leva a lugar nenhum
que só traz à memória
a espectativa q se tem quando se acorda de um sonho delirante;
como um lobo surdo no deserto

buscando uma tentativa de entender os motivos expressos
nos impressos mal compreendidos das promoções
que prometem a felicidade
na troca de papéis por pacotes
de prestações por pacotes

e apenas conseguindo o galhardão dos que foram condenados a sua própria covardia
dos que estão presos na insignificancia dos medos que remoem.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

manifesto do esquecer-se

é preciso ignorar o amanhã
ele não passa de uma realiade figurativa
uma saudade convertida em desejo

ele nunca virá a ser o hoje.
perder-se-á em meio aos teus cabelos, na confusão de teus dias de furia, no sortimento de teus descontentamentos, ao lado dos guarda-chuvas que virão a ser perdidos...em uma estação de trem qualquer...

é preciso exorcizar o passado
ele não é mais do que a imagem de algo que não é,
das fotografias mal feitas de máscaras embalsamadas na névoa do esquecimento

o passado sou eu olhando-me em espelho, olhando-nos em espelho
lembrando de nós, lembrando de nós sonhando sonhos que não se realizaram, de que o amanhã de ontem não ocorreu...

Já ao presente igualmente nada cabe
além de um palco mudo
onde estamos nós
a sós
contra um fundo branco

sábado, 4 de abril de 2009

Aparição

sobre essas muralhas que hão de me destruir
construí minha morada

e sobre os seus resíduos habitei prolongadamente

e depois de tanta busca
encontrei numa réstia de luz - a lembrança de teus olhos sagrados -
como o sinal de um culto perdido no tempo

e minhas mãos sedentas de tua manifestação
abriram-se como livros a muito esquecidos
costurados no sangue
derramado na libação da tua presença

e, assim, como se frutificasses da manhã aterradora
a energia trasmutadora do teu semblante confundiu-se com o sol
e tomou conta do meu tempo

como um novelo de lã
escravizou-me na sua proteção

e desde então
nunca mais estive só

domingo, 16 de novembro de 2008

confissões

a vida só me deu o mínimo.
as mínimas alegrias,
os mínimos ponteiros.
me deu a esperança mínima
para que eu, entre arbustos monstruosos,
prostrado, sem voz,
não pudesse admitir outra coisa senão ela.

a vida sou eu
e só me dei, a mim, o medo.
o medo de poder falar, de levantar-me,
surgir dos arbustos antropomórficos,
fugir do mínimo.

e assim me tornei um eloqüente mudo,
um caminhante genofléxico,
um liberto conhecedor de labirintos minimalistas,
aprisionado em mim,
no tempo escasso,
sem nem um horizonte para, no fim,
lançar olhares de sentir saudade.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Insígnias

Quando o sol vier amanhã
esculpirei no teu rosto
a minha insígnia
(o desespero é uma ave que se come fria)

O sol, a salada verde flambada no sol
verde
a salada, os tomates em rodelas
as folhas picotadas irregularmente
a semana passada
uma lótus esperando o paraíso
a semana passada
em gotas podres de um vinho desfeito
[eu sou teu sabor azedo]
Eu. Vc. O pacífico sul embalado como refrigerante de ovnis
amanhã, hoje e sempre
Para que o sentido(, as pedras, os urubus da enseada, teus óculos esquecidos na prateleira na casa da avó de nossos vizinhos, os cotovelos da vênus roubada q fizemos em nossa escola de artes [: a vida aos fiapos], o teu semblante, um resto de espelho pendurado nas tuas orelhas de pendurar restos de espelhos, e tudo mais,) caiba nesse grito
nesse leve toque,
q de ti roubo
pra que as borboletas silenciosas
boquiabertas
nos admirem